E Belém é o lugar certo, no momento certo.

No começo de julho, vivenciei a Expedição Amazônia Pré-COP30, organizada pela Aberje e pela Academia Amazônia Ensina. E, sim, vivenciar é o verbo correto. Não só participamos de uma expedição; vivenciamos uma imersão na Amazônia urbana e acompanhamos de perto os preparativos para a COP30.
Confesso que cheguei a Belém com muitas dúvidas e, de certo modo, “contaminada” por uma narrativa um tanto quanto equivocada (e por que não dizer, sudestina) em torno do evento e, principalmente, das fragilidades da sede. Estaria a maior capital amazônica pronta para sediar um evento desse porte? A logística daria conta? Os investimentos seriam suficientes? Haverá hospedagem digna e possível? Como comunicar com responsabilidade as contradições de uma Amazônia urbana ainda marcada por desigualdades profundas? Voltei com muitas dessas dúvidas na bagagem, mas com uma grande certeza: a COP30 precisa acontecer em Belém.
Por que fazer a COP30 em Belém?
O mundo precisa ouvir o que vem da floresta. E não apenas das árvores e rios, mas das comunidades tradicionais, dos jovens periféricos, das mulheres da cidade, dos cientistas da região, dos projetos que nascem no calor dos desafios reais. A COP30 tem tudo para ser um divisor de águas porque finalmente o debate climático global terá, como pano de fundo, a floresta viva — e não apenas gráficos e protocolos.
Sentir a mudança climática – o calor que chega a ser “sólido”, ver de perto as mazelas da população e constatar que conforto climático é sim uma questão de classe e para poucos – faz parte da experiência. Mais do que isso: pode definir decisões pela justiça climática e pela floresta viva, capazes de mudar o curso do presente e do futuro.
Green Zone e a Blue Zone: o que são?
Em Belém, um dos pontos altos da Expedição foi conhecer o Parque da Cidade, área diplomática da ONU na capital e que vai abrigar a Green Zone e a Blue Zone da COP30. A Área Azul (Blue Zone) já sabemos que é o espaço restrito aos chefes de estado e outras instituições que irão negociar soluções reais e justas para a crise climática. Mas aí é que está: a COP não é um evento fechado e limitado aos poderosos.
É preciso ocupar a Zona Verde (Green Zone)! Lá, empresas, governos, ONGs, cientistas, juventudes e povos originários se encontram para apresentar e conhecer projetos que acelerem a transição para uma economia verde. Organizada em hubs temáticos sobre clima, inovação, biodiversidade, juventude, tecnologias limpas, a Zona Verde será espaço de trocas de experiências e da promoção de negócios sustentáveis. Em outras palavras, é lá que a transformação de verdade acontece.

Faltam 4 meses para a COP30
Belém já está mobilizada, um verdadeiro canteiro de obras e de ideias. Há tapumes e britadeiras para todo lado. Há, também, uma efervescência intelectual, cultural e local, de pesquisadores, estudiosos, empreendedores da bioeconomia, lideranças comunitárias, estudantes de encher os olhos e o coração de esperança.
Com pesar, daqui de Minas Gerais, acompanho um certo afastamento de empresas e organizações que ainda não embarcaram na conferência. Talvez pela distância, talvez pelas preocupações, talvez por prioridades. Queria que todos que não estão embarcados ainda pudessem ter vivido a imersão que vivi para constatar que o engajamento na COP30 deveria ser mandatório. A COP30 é o espaço para quem quer liderar o futuro da sustentabilidade.
Esse é o convite que deixo, então: vamos abrir a guarda, abraçar a COP30, enfrentar as preocupações, fazer parcerias, quebrar as dicotomias, superar as polarizações, e, assim, fazer acontecer a maior COP da história. Mostrar, em todos os âmbitos, que a Amazônia não é obstáculo, é parte da resposta.
Lilian Ribas
Sócia e líder ESG