A estratégia por trás da construção de lideranças comunicadoras

Entra ano, sai ano, engajar as lideranças como comunicadoras nas organizações segue no topo das prioridades das áreas de comunicação. Mas por que essa é uma tarefa tão difícil? Minha experiência com estratégia e com comunicação me ajuda a formular algumas hipóteses.

O que considero mais importante é, muitas vezes, o mais negligenciado. A liderança sabe o que precisa comunicar? Tem clareza do que desdobrar para suas equipes?

A estratégia deve ser traduzida de forma que as pessoas sejam capazes de entender para, aí sim, traduzir e colocar em prática na rotina. Porém, o que se vê com certa frequência é essa estratégia sendo elaborada entre quatro paredes pela alta gestão em termos bastante abstratos.

Um artigo publicado no MIT Sloan Management Review, aponta que apenas 51% dos membros de alta liderança conseguem listar as prioridades da sua organização. Entre os executivos seniores, esse número cai para 22%, chegando a 18% para a média na gerência. É assustador! Como engajar as lideranças e tê-las como aliadas para fazer o que precisa ser feito se nem quem desenvolveu a estratégia sabe dizer qual é o seu foco?

A construção estratégica é um exercício tanto analítico quanto criativo. Para que ela passe da ideia à execução, as pessoas precisam ser capazes de entender e dar corpo para os números, prioridades, diretrizes e se enxergarem como parte do processo, além de entender o que têm a ver com isso.

Transformar a estratégia em uma história compreensível, compartilhável e capaz de engajar as pessoas é uma tarefa fundamental para diminuir o gap entre a elaboração e a execução, gerar os resultados desejados, direcionando os esforços da melhor forma.

Quer formar líderes comunicadores? Coloque as pessoas no centro, não deixe de incluí-las, de considerar suas necessidades e aspirações. Facilitar seu entendimento e dar condições para que elas saibam o que fazer são os primeiros passos para alcançar esse objetivo.

Técnicas e ferramentas, assim como bons treinamentos para a comunicação direta, ajudam muito, não tenho dúvida. Mas nem a combinação de carisma com a melhor das retóricas salva uma mensagem vazia de significado.

As áreas de comunicação podem contribuir, e muito, no engajamento das lideranças comunicadoras, para além da rotina operacional. Seu principal trabalho é apoiar a alta direção a articular e criar uma história estratégica. Isso permite simplificar o que é complexo, tangibilizar, tornar a estratégia uma mensagem compartilhável e compreensível pela organização. O trabalho junto às áreas de comunicação é capaz de colocar as lideranças como protagonistas e orientá-las a conquistar seus times como aliados.

Motivadas por um objetivo no qual acreditam, as lideranças passam a ter outro olhar para a habilidade de se comunicar bem com a equipe: ela se transforma em uma tarefa desejável e alinhada aos seus próprios interesses, não apenas uma obrigação de que querem se livrar.

Isabela Scarioli

Sócia e líder de estratégia e planejamento

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