Chega essa época do ano e começam a pipocar as demandas de planejamento para o próximo ciclo. Junto com elas, vem sempre o coro: “que tarefa chata, inútil, vai tudo mudar e o planejamento vai ficar na gaveta”. É o que mais escuto e sempre lembro: planejamento não é mapa.
Há mais de uma década facilito processos de estratégia e de planejamento em diferentes organizações. Queria compartilhar algumas reflexões sobre por que é tão difícil fazer um bom planejamento – e o que muda quando olhamos para esse processo de outro jeito.
Planejamento não é mapa, é Waze
Você precisa saber claramente onde quer chegar, mas também deixar espaço para a vida acontecer, ajustando a rota quando o contexto muda. Clareza de ponto de chegada, flexibilidade para ajustar a rota.
Dito isso, surge a pergunta central: como fazer um bom planejamento se não existe uma visão compartilhada – e se não existe tempo para construí-la?
Condições básicas para um bom planejamento
A condição básica para um bom planejamento é que exista um projeto de futuro compartilhado pelo grupo que vai tocar as iniciativas ao longo do ano. E construir essa visão é, talvez, a parte mais importante – e, muitas vezes, a mais negligenciada – do processo de estratégia e planejamento.
Em um mundo “sem tempo”, negligencia-se justamente o processo que, mais do que o resultado, é a parte mais valiosa. É nas conversas difíceis, em “estressar” os pontos, costurar consensos, alinhar visões e chegar a um acordo sobre o que é importante que nasce a clareza necessária para tocar a rotina.
É o terreno comum que dá autonomia para cada pessoa decidir o que fazer – e, principalmente, o que não fazer. Quando sabemos coletivamente o que precisamos realizar, as decisões do cotidiano deixam de ser escolhas isoladas e passam a fazer sentido dentro de uma mesma história.
Estratégia e planejamento são processos
Eu costumo dizer que estratégia e planejamento são processos:
- analíticos – quando avaliamos cenários, condições, oportunidades, riscos;
- criativos – quando desenhamos caminhos, soluções e alternativas para navegar um ambiente cada vez mais volátil, incerto e rápido;
- e também poéticos – quando construímos significados compartilhados para a nossa rotina e o nosso trabalho.
No fim, estratégia é o que dá sentido ao que fazemos – em termos de direção e de significado.
Quando o ponto de chegada está definido e acordado, até a famigerada lista de tarefas fica mais fácil de montar (e, ao longo do ano, de adaptar ou abandonar).
Desenhar e facilitar processos
É isso que nós da BH Press Comunicação e Sustentabilidade fazemos quando apoiamos organizações na temporada de planejamento: desenhamos e facilitamos processos que ajudam a construir essa visão compartilhada, transformar intenção em direção clara e conectar estratégia com o dia a dia.
Se sua empresa está entrando no ciclo de planejamento e você quer evitar mais um plano “para gaveta”, vamos conversar sobre como estruturar esse processo de forma mais viva, colaborativa e estratégica. Eu garanto que vai diminuir o desperdício de tempo, dinheiro, e por que não, de vida.

Isabela Scarioli
Sócia e líder de estratégia e planejamento