Faz sentido ficar seis meses fazendo um planejamento estratégico quando amanhã muda tudo?
Apesar de parecer contraintuitivo, estratégia e planejamento nunca foram tão valiosos, exatamente porque tudo muda muito o tempo todo. O jeito antigo de pensar e fazer planejamento pode ter morrido. Mas eu defendo que a estratégia está vivíssima!
Planejamento, estratégia e reflexão
Em um contexto em que a inteligência artificial é quase onipresente temos um aumento do volume, do muito. Além de baratear o que era caro – o texto, a arte, o release, o plano, a planilha, a apresentação – cortou as horas que existiam entre a ideia e a execução. O tempo da reflexão. E quando executar fica barato, a tendência é fazer antes de pensar. Mais. Muito. Não necessariamente o que funciona. O nome disso é desperdício.
Em meus mais de 20 anos trabalhando com planejamento vejo, cada vez mais, que planejar não é listar tarefas. Isso realmente ficou obsoleto. Ter estratégia é alinhar um grupo (ou só você mesmo) em torno do que faz sentido – e sentido aqui tem a conotação de direção e de significado. É intencionalidade compartilhada, clareza de ponto de chegada, diretriz para a ação.
O que faz um bom planejamento?
Uma lista de tarefas para o ano não funciona em tempos de pandemias, El Niño, guerras e disrupção tecnológica. Agora, clareza do que a organização quer alcançar, dos objetivos, de como eles se desdobram para cada frente de negócio, isso é ouro.
Um bom planejamento não é uma relação de atividades, é um conjunto de visão, objetivos e diretrizes que traz clareza e permite às pessoas tomar decisões rápidas no dia a dia. Não porque elas têm uma lista rígida dirigindo cada uma das suas ações, mas porque sabem o porquê de cada coisa ser importante ou não.
Essa conversa rende, viu? E me fascina. Por isso, nas próximas semanas vou trazer um pouco do que tenho aprendido e pensado sobre planejamento e estratégia, esse assunto complexo, múltiplo e interessantíssimo. Vamos juntos?
Uma estratégia clara e um bom planejamento não são tarefas de uma vez por ano para gerar um PDF que fica perdido na gaveta (ou na nuvem). São vivos, evoluem continuamente. Devem apoiar a mudança quando as chuvas, buracos e acidentes afetam a rota. Sem perder de vista o ponto de chegada.
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Este é o primeiro texto de uma série de reflexões sobre estratégia, planejamento e tomada de decisão em ambientes complexos.

Isabela Scarioli
Sócia e líder de estratégia e planejamento