Se estratégia é Waze, a primeira escolha é o destino

Estratégia não é mapa, é Waze. Tudo bem, na teoria faz sentido, mas como conceber e implementar uma estratégia que funcione em contextos complexos e em permanente disrupção? Como atualizar os parâmetros para pensar essa disciplina? Essas são perguntas que venho explorando, não só intelectualmente, mas na prática. 

Afinal, o que é estratégia?

Para começar, é relevante conceituar meu entendimento de estratégia, essa palavra tão usada e tão pouco compreendida. Um esclarecimento: este post não tem a menor pretensão de ser um tratado ou uma revisão do tema. Para isso existem diversas opções disponíveis para os interessados. Vou deixar algumas referências que me ajudaram a entender e navegar pelos conceitos, como os clássicos Sarafi de Estratégia, de Henry Mintzberg e o artigo seminal de Michael Porter What is Strategy, parte do excelente compilado HBR´s Must Reads on Strategy. Entre as visões mais contemporâneas, gosto muito de Better Simpler Strategy, de Felix Oberholzer-Gee e de Lean Strategy, de David J. Collins. Outra vertente que acho interessantíssima é sobre as histórias e narrativas estratégias, como no artigo Your Strategy needs a story. Tem referência para todos os gostos para começar ou se aprofundar no tema.  

Aqui, no entanto, espero discutir como enxergo estratégia na prática e como os conceitos vêm evoluindo para mim nos 20 anos em que apoio clientes nas reflexões em torno de discussões e formulações estratégicas.  

Na minha visão, antes de mais nada, estratégia é intencionalidade. Simples assim. É a capacidade consciente de escolher o que a organização quer ser e realizar em curto, médio e longo prazos. Definir como existir e ser relevante no mundo como ele é, e não como a organização gostaria que fosse.  

É vislumbrar um futuro e ter pilares fortes e flexíveis o suficiente para encontrar um caminho até lá, mudando a rota sempre que necessário. Com as mudanças de contexto, a disrupção tecnológica, o imponderável. Incluindo a complexidade. Assumindo que não temos hoje as capacidades para chegar lá, mas nos abrindo para o potencial do desconhecido que temos que enfrentar. E sabendo que vamos precisar evoluir para chegar em um futuro que não sabemos como vai ser. Mas que escolhemos como queremos ser quando chegarmos lá.  

Estratégia é intencionalidade sobre o futuro que queremos construir, mesmo diante de toda imprevisibilidade. É assumir a responsabilidade pela direção da organização. Ser dono do nosso destino. Isso não dá para terceirizar. Porque o contexto ninguém pode controlar, mas ser intencional sobre o futuro é uma escolha. É da intencionalidade que vem a clareza compartilhada. Intencionalidade e clareza são peças-chave da longevidade organizacional.  

A sua organização pode se dar ao luxo de negligenciar essa escolha? 

Esse é o segundo texto da série de reflexões sobre estratégia, planejamento e tomada de decisão em um mundo complexo. 

Leia mais: O planejamento tradicional morreu. A estratégia, não.

A imagem deste post foi gerada pelo ChatGPT.  

 

Isabela Scarioli

Sócia e líder de estratégia e planejamento

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